Uma empresa de Santos foi recentemente condenada a indenizar uma trabalhadora que pediu demissão após sofrer assédio de um colega e perseguição do chefe. O caso reforça um alerta crítico para pequenas e médias empresas: a ausência de políticas claras contra assédio moral pode resultar em condenações trabalhistas que comprometem seriamente a saúde financeira do negócio.
Muitos empresários ainda enxergam o assédio moral como um problema restrito a grandes corporações, mas a Justiça do Trabalho não faz essa distinção. PMEs respondem da mesma forma por condutas abusivas de gestores e funcionários, e as indenizações por danos morais podem facilmente ultrapassar R$ 50 mil em casos graves — valor que representa meses de faturamento para negócios de menor porte.
O que caracteriza assédio moral e perseguição no trabalho
Assédio moral é toda conduta abusiva, repetitiva e intencional que degrada as condições de trabalho e ofende a dignidade do colaborador. Isso inclui humilhações públicas, isolamento proposital, atribuição de metas impossíveis, comentários depreciativos constantes e perseguição por parte de superiores ou colegas.
O caso de Santos exemplifica uma situação comum: quando a vítima relata o assédio e, em vez de proteção, enfrenta retaliação da liderança. Essa postura omissa ou conivente da empresa é justamente o que agrava a condenação judicial. A Justiça do Trabalho entende que o empregador tem o dever legal de garantir um ambiente saudável e agir preventivamente.
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Como PMEs podem criar políticas efetivas de prevenção
A boa notícia é que medidas preventivas são acessíveis mesmo para empresas menores e reduzem drasticamente o risco de processos. Comece formalizando um código de conduta simples, de 2 a 3 páginas, que defina claramente o que é assédio moral, apresente exemplos práticos e estabeleça canais de denúncia confidenciais — pode ser um e-mail direto ao RH ou ao empresário, dependendo da estrutura.
Treine sua liderança. Gestores e supervisores precisam entender que pressão por resultados não justifica humilhação, e que piadas repetitivas ou isolamento de funcionários configuram assédio. Um treinamento anual de 2 horas, presencial ou online, já faz diferença significativa na cultura da empresa.
Quando receber uma denúncia, aja imediatamente. Ouça a vítima em ambiente reservado, documente tudo por escrito, investigue de forma imparcial e aplique medidas disciplinares proporcionais — advertência, suspensão ou demissão por justa causa do agressor. A demora ou omissão na apuração é o principal erro que leva PMEs ao banco dos réus.
- Formalize um código de conduta com definição clara de assédio moral e canais de denúncia confidenciais
- Promova treinamento anual de liderança (mínimo 2 horas) sobre condutas abusivas e gestão respeitosa
- Ao receber denúncia, documente, investigue em até 7 dias e aplique medidas disciplinares imediatas ao agressor

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